28 setembro 2006

A palavra Cleptocracia, de origem grega, significa literalmente “Estado governado por ladrões”. A cleptocracia ocorre quando uma nação deixa de ser governada por um Estado de Direito imparcial e passa a ser governada pelo poder discricionário de pessoas que tomaram o poder político nos diversos níveis e que conseguem transfomar esse poder político em valor econômico, por diversos modos.
O Estado passa a funcionar como uma máquina de extração de renda ilegal da sociedade, isto é, população como um todo, em contraposição à máquina de extração de renda legal, o sistema de cobrança de impostos, taxas e tributos dos Estados que vivem em um regime não-cleptocrático.
Todos os Estados tendem a se tornar “cleptocracia” se não ocorrer um combate real pelos cidadãos, em sociedade. Em economia, a capacidade de os cidadãos combaterem a instauração do Estado cleptocrático é fortemente correlacionada ao capital social da sociedade.
A fase “cleptocrática” do Estado ocorre quando a maior parte de sistema público governamental é capturada por pessoas que praticam corrupção política.

26 setembro 2006

Corações em Setembro



Eu nem ia postar nada hoje.

Resolvi algumas coisinhas, fiz mais um coração enfeitado e acho até que ficou bem bonitinho...

Bordar é muito bom. A gente dá uma relaxada, pensa em amenidades...cores, formas, possibilidades, misturas. Tudo com muita delicadeza e singeleza, sem perder a atenção.

Eu recomendo.

25 setembro 2006

Os Gatos e o meu Telefone

Não é nada disso que você - talvez - está pensando.

Tem um gato que cuida deste meu aparelhinho e outras duas gatinhas que piscam luzes coloridas, quando eu recebo/faço/envio uma mensagem ou uma ligação.

Uns frufruzinhos que gosto de ter. Me alegram. "Frescuras de mulher", diriam alguns poucos chatos. Tou nem aí. Cada um com sua frescura, não é?

24 setembro 2006

Direto da nossa horta particular e orgânica.
Isso é prá quem pode...babem!
Tomates-cereja, fresquinhos da hora!!!

22 setembro 2006

Ele quer que eu seja assim...

Sou o que posso ser.

Antes, talvez,
pudesse ser aquela
que falava com anjos da noite
e com os demônios, naquelas manhãs.

Pois agora ele me prende, me tolhe, me nega.
Ele me protege.

Ele me esconde, me abraça,
me ama demasiadamente,
e, sábiamente me cega,
me amaldiçoa os sentidos...

...mas eu escuto as vozes,
asculto os corações alheios,
espreito, persigo sombras.


E assim, a mim, sobras.
A mim, falhas.
Não por dares as cartas
mas por jogar-me as flores
cujo perfume inexiste.

Substância e alpiste


- que foi, luzineide?
- ó patroa, tou pedindo as conta.
- que foi que houve?
- tou triste, patroa. a senhora num gosta mais de mim.
- de onde vc tirou isso?
- ah, tou sentino que faz um tempinho que a senhora não me pede mais nada.
- bom, eu desisti por uns tempos, só isso.
- a senhora não gosta mais da minha comida?
- não, luzineide, estou precisando emagrecer um pouco.
- mas os homens não gostam de mulher sem sustância...tem gosto prá todos os tipo de mulher.
- hum, essa é uma guerra de uma mulher só, luzineide.
- cuma?
- deixa prá lá. vai trabalhar e me deixa trabalhar.
- sim senhora.
- onde está aquela revista "Boa Forma" que eu te dei aquele dia?
- tá na pasta do patrão.
- pega ela de volta prá mim.
- mas madame...
- não discute. faz o que eu mandei.
- a senhora vai comer...aquilo?
- vou.
- aquilo não é comida de gente.
- eu sei. mas eu gosto de sofrer.
- e o que é que eu faço com aquelas bananas?
- some daqui, luzineide!
- a madame tá estressada?
- meu deus! não se fazem mais empregadas como antigamente...
- cuma?
- desliga, luzineide. vai ver se eu estou lá na esquina...
- mó...
Modelo: Essa posição está me matando!
Sapo: E eu aqui, com essa boca cheia de coisas, sem poder engolir!
Ovelha: Well, insanity is hereditary!
Modelo: Você é pesada, fofa! E só fala sempre a mesma coisa! Dá prá virar o disco?
Sapo: Nem adianta reclamar, ela não entende nada de português! Coitada...
Modelo: Que saco esse sapo! Seu...boca-aberta, tá olhando o quê?
Ovelha: Insanity is...
Modelo: Shut up!
Ovelha: I can't! It's more powerfull than me!
Sapo: Que foi que ela disse?
Modelo: Além de sabo boca-aberta, você é também uma anta ignorante...
Sapo: Só porque eu não sei falar inglês?
Ovelha: Insa...
Modelo: Cala esta boca!
Ovelha: Ok! Ok!
Sapo: Hein? Hein?

21 setembro 2006

Insanidade é hereditária, diz a ovelha.

Ovelhas falantes?
Essa ovelha aí fala...mas em ingles.

baby steps








É isso que fiz hoje, além de ficar aqui debruçada sobre esse teclado.
Um dia de cada vez.
Um passo pequeno, mas o primeiro passo.

Uma vez escrevi uma poesia que terminava assim:
...Meu coração é feito de nada,
mas pulsa o que tem de pulsar.
Eu a perdi por aí, não sei onde guardei...pena!

20 setembro 2006

Tempus fuggit...ma non troppo

- O tempo está passando...
- É...tempus fuggit.
- Chegou a alguma conclusão?
- Não, ainda não.
- Nem eu.
- O que mais podemos fazer?
- Sei lá...mas nem fizemos nada ainda!
- É mesmo.
- Que coisa!
- É...


tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic...tac...tic.......tac......t

- O relógio quebrou?
- Não...eu acho que precisamos dar corda.
- Dar corda? O seu não é à pilha?
- Não. Relógios à pilha não fazem tic-tac.
- Não? Nunca notei isso...é mesmo?


- Minha mãe tem um relógio-cuco, daqueles de madeira, com a cabeça de um veado em cima.
- Não é um alce?
- E veado e alce não são a mesma coisa?
- Não...veado é veado...alce é alce...
- Hum. Prá mim dá no mesmo.

- Alce é aquele que tem aquela galhada toda grudada, parece um leque.
- E o veado?

- E o que é que tem o cuco da tua mãe?
- Olha como fala...respeito!
- Tá bom. O que é que o cuco da tua mãe faz?
- Piorou!


- Putz! Tudo tem duplo sentido para você?
- É a minha cabeça é que não presta.
- Você pensa demais! E ainda pensa mal.
- É...eu queria ter nascido mais burra(sic).
- Hehehe...deve ser por isso que você pintou o cabelo dessa cor...
- Você gostou?
- Não sei...não me acostumei ainda. Too many lights.
- Eu acho que você não gostou, mas não quer dizer.
- Eu já te disse que não sei.
- Tá bom. Não vai durar muito tempo, mesmo...


- E o cuco?
- Era assim: de quinze em quinze minutos ele fazia um "cuco". Quando dava a hora cheia, cucava tantos "cucos" quanto precisasse.
- Cucava? Hum.
- Entendeu? Dois cucos, duas horas. Tres cucos, tres horas...
- Doze cucos, doze horas...
- Você entendeu.
- É, entendi. Mas não é sempre assim, tão fácil...

- O quê não é fácil? Relógios-cucos?
- Não. Entender você não é fácil.
- Ninguém me entende...

18 setembro 2006

a blusa e a modelo perfeita!

Para os petistas, genéricamente falando, é claro - sei que há petistas que não são assim - a ladroagem tem carta branca, desde que seja o produto do roubo dividido entre os "mais necessitados", não?

Mas não é isso exatamente que ocorre nas "altas esferas' do governo de Lulis, prostituído até os gargumilhos com alianças sórdidas a antigos desafetos. O que se vê é putaria, e da grossa.

E se esse "crime menor' - roubar - tem carta branca, outros crimes mais sérios - como extorquir, prestar falso testemunho, matar - também poderão tê-la, pelos mesmos motivos: a tal 'igualdade social' ou a tal 'inclusão social', termos esses que são considerados e utilizados pelos petistas como invenção da roda.

Leio na Revista Época um trecho da reportagem "Por que não nos livramos dele?", sobre Hitler:

"Nosso pobre país encontra-se em decadência romana, estamos sem fibra ou energia moral, não acredito em mais nada, o dinheiro aniquilou tudo."(Arthur de Gobineau, no ensaio sobre "Desigualdade das raças Humanas") .

Leio também o texto da reportagem e me deparo com uma expressão marcante: "submissão abjeta", referindo-se à reação do povo aos mandos e desmandos de Hitler. Tudo era justificável para "reparar as injustiças" cometidas contra o povo, e assim, vicejar aquela filosofia de que a raça ariana era superior às outras.

Não sei o que pensar, me confundo. Mas há algo estranhamente coicidente aí.

17 setembro 2006

aquarelando no domingo

Dã. Nem sempre a inspiração vem quando a gente quer. O que acontece é que existe aquela vontade imensa de fazer algo que não se consegue mais fazer, assim, como fazia tão bem antes.
- Baixe a cabeça e trabalhe! Esse negócio de "falta de inspiração" é conversa prá boi dormir, não existe!
Quem falou-me isso uma vez foi o "Véio" Carlinhos Eggers...a long time ago. Mas parece que ele está aqui na minha frente, repetindo the same. Sem essa, vamolá, pegue os pincéis, as tintas, o papel e mete bala!
O resto vem. Sai na urina. Normalmente.
E pode ser assim, sem pé nem cabeça e também sem pescoço e orelhas...dedos, joelhos, ombros...
É a liberdade mágica que o meu pincel me propõe, sem restrições, sem manias de perfeição, sem juízes ou julgados.
Taí o resultado. Sem nome ainda. Mas nasceu, finalmente.

16 setembro 2006

desenhando em cima do colchão

- Mamãe, desenha uma coisa prá mim!
- Tá. O que é que você quer que eu desenhe?
- Desenha um gatinho.
- A Mya?
- É. Bem grande!
- Eu desenho e depois você pinta?
- É. Mas tem que ser beeeeeeeem grande!
- Tá bom.
Começo a desenhar no papel, assim, de ponta cabeça mesmo, aquele gato que já desenhei um sem-número de vezes para ela. Começo pela cabeça, triangular, faço as orelhas, o focinho, os olhos e termino nos bigodes. Antes eu desenhava só a cabeça...mas aí ela começou a notar que faltava o resto.
- Cadê o rabo? As pernas? A barriga?
Pois é. Tive de implementar o desenho com esses itens imprescindíveis, agora. Antes só a cabeça servia para identificar o gato. Mas agora é preciso que haja o corpo todo. E aí começa a "pintura". Essa sim, pode ser totalmente colorida e sem presença do real - que só atrapalha nessa hora.
Verde-limão, pink e preto convivem em harmonia no pêlo do gato.
- Posso desenhar umas flores para a Mya? - eu pergunto.
- Pode! Faz uma aqui, beeeeem grande, e outra beeeeem pequenininha.
- Tá bom.
Aí eu começo a desenhar florezinhas...e o tempo passa sem a gente notar...

15 setembro 2006

"quando" e "onde"

para cada tempo
existe um lugar.

para cada lugar,
um tempo?

Para esse lugar o tempo não existe.

Para esse tempo tudo o mais complica,
difícil acontecer.

E, quando acontecer,
vai parecer que não existiu.

14 setembro 2006

13 setembro 2006

vai um lulinha aí? baratinho...

"A cerca de três semanas da eleição, o artista plástico Rudi Sgarbi, está faturando com uma brincadeira envolvendo o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição e líder disparado em todas as pesquisas de intenção de voto. Para os adversários do petista, ele oferece na Internet, ao preço de R$ 9,50, chaveiros com bonecos do "Lulinha Voodoo". Parodiando rituais de feitiçaria, o brinquedo já vem com três alfinetes para ser espetado."
Pô. Por que eu não pensei nisso antes? Lucrar com a tragédia não é pecado...é?

ditados mutantes I

"Para um bom espremedor, meia laranja basta."

"O ânus da prova é a eterna vigilância. "

livre dissociação

Cornucópia.

Corno.

Cópia.

Etiópia.

Ei, pia!

copia.

Tia Maria.

Olaria.

Tijolo.

12 setembro 2006

eu agradeço a vocês...



( Estudos de rosto feminino em grafite sobre papel, 2006)
GOSTARIA DE AGRADECER IMENSAMENTE ÀS PESSOAS QUE VISITAM ESTE BLOG!
ESTOU MUITO FELIZ COM ESSA POSSIBILIDADE!
COMPARTILHO AQUI COM VOCÊS MEU BAÚ DO TESOURO, MEUS ALFARRÁBIOS, MINHA COLEÇÃO DE TAMPINHAS DE GARRAFA, MEUS SEGREDOS DE LIQUIDIFICADOR, MEUS MEDOS, MINHAS DESCOBERTAS (SEMPRE) TARDIAS, MEUS RABISCOS, MEUS ACHÔMETROS, MEUS ATAQUES DE RISO.
E SE PINTAR UM CHORORÔ, UM CHORAMINGO QUALQUER, PEÇO QUE RELEVEM:
NEM SEMPRE HÁ SOL LÁ FORA.

dúvidas sobre colchões magnéticos

Colchões Magnéticos
21/08/2006 04:43
Pedrão ***
Alguém já viu esses colchões?Os caras curam de tudo. Até depressão.


Aí minhas duvidas são:
1) Se alguém for levar ferro em um colchão assim, não se corre o risco do parceiro brochar por causa do magnetismo?

2)Se uma pessoa tem a personalidade magnética, não corre o risco de sofrer alterações de sua personalidade, ou mesmo de flutuar sobre o colchão?

3)Não causa interferência na televisão do quarto?

4)COMO exatamente esses caras curam a depressão?

5)De onde eles tiram essas idéias bizarras?


tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac

Água magnetizada
21/08/2006 19:15
\/ndre\/
Comprei aquela garrafa de magnetizar água. Só que eu uso prá guardar o leite de magnésia. Miha memória tá fraca e o leite magnetizado tá me ajudando muito nas magnésia que tenho vez ou outra.



***Um dos sujeitos mais engraçados que já "conheci" no Orkut. Toda comunidade que ele abre, tou lá. Tem até a dele, "Pedrão, o bão". Tou lá tumém. Agarrada que nem chicrete velho. E ele tem um filho que se chama Bernardo...tem bom gosto, ele. Ah, ficou pai novamente e tá meio sumido. Diz que tá lavando fraldas...que tá amamentando...hum.

11 setembro 2006

vidas que acabam num setembro

Setembros seriam maravilhosos, senão fosse o trágico dia que insiste em permanecer congelado, como essa imagem. E, mesmo que setembros tenham muitos significados e justificativas diferentes, em todos os seus 31 dias, a dimensão do ocorrido em nada muda a vida daqueles que só assistem, plácidamente, a passagem de mais um setembro. É só mais um setembro, nada mais.

Des-vantagens


A grande vantagem
é que você não a tem.
Ainda não a teve.
Existem não-tempos
para serem vencidos.

Fidelidades.
Remorsos.
Covardias.
Vaidades.

Retroceder, impossível.
Avançar é dita loucura.
Para ela o passado é logo,
atrás daquele último-primeiro.
Fácil futuro instante.
Viver entre os paradoxos
e deslocar-se entre eles.

E tudo muda constantemente.
Num mero olhar, tudo muda.

Você viaja no espaço.
Dia após dia, só espaços.
Espaço ocupa muita memória!

Já ela viaja no tempo...
...e aguarda pacientemente
animada com seus azuis.

onzes de setembros

"Quando entrar setembro
e a boa nova andar nos campos,
quero ver brotar o perdão
onde a gente plantou
juntos, outra vez.

Já choramos muito,
muitos se perderam no caminho...
Mesmo assim, não custa inventar
uma nova canção
que venha nos trazer sol de primavera,
abrir as janelas do meu peito.
A lição sabemos de cor.
Só nos resta aprender."

(Sol de Primavera, Beto Guedes e F. Brandt)

Nós realmente precisamos cantar novas canções, mas quantas vezes alguém já cantou isso antes?

As vidraças das "janelas do meu peito" estão totalmente embaçadas, o sol não consegue entrar. Essa faxina não terminará nunca?

Quanto mais se limpa, mais sujeira aparece.


A boa nova e o perdão.
Esperemos.

Quae sera tamen...

10 setembro 2006

infinitamente...

( Da série Mitologias, sem título, acrílica/s/t, 1997.)

A LIÇÃO DE PINTURA

"Quadro nenhum
está acabado,
disse certo pintor;
se pode sem fim continuá-lo,
primeiro,
ao além de outro quadro que,
feito a partir de tal forma,
tem na tela, oculta, uma porta
que dá a um corredor
que leva a outras
e a muitas outras."

João Cabral de Mello Neto.

Esse poema......para mim, é inexplicávelmente perfeito.
Uma grande amiga, Alice, mestre de arte educação, me falou uma vez, quando pintávamos "a 6 mãos" uma grande tela, nos meus idos tempos do Arte15:

-" Nunca sei quando vou terminar um quadro. Eu poderia pintá-lo para sempre..."

Saudades do Arte15.

09 setembro 2006

Patchwork & Construção

Inspiro-me em muitas pessoas, por aqui e por ali, e, de cada uma delas, obtenho uma espécie de "amostra", ou um "retalho", que pacientemente - ou mesmo inconscientemente - "costuro" em mim.

Serei eu falsa em dizer que sou um resultado desta minha "costura"?
É claro, não totalmente...
A boneca de pano aqui é uma boneca complexa, recheada de sobras de outras que a precederam ou que a acompanham.

Mas a boneca, no seu caminho, encontra um mundo de atitudes e pensamentos...e deles sempre há o que aproveitar, um fragmento esquecido, um pequeno pedaço compartilhado, um recorte desimportante - para quem dele se desfaz -, para juntar-se aos outros, formando, assim, essa espécie de "roupa" que ela veste, orgulhosamente.

Quando pequena, minha mãe (de quem herdei o recheio do sarcasmo e ironia) me chamava de "mulher do saco", uma alusão à uma senhora catadora de lixo, que passava sempre à nossa porta. E, realmente era eu desse jeito, como sou até hoje: eu cato, aqui e ali, pedaços de coisas, de panos, botões, ou qualquer coisa que pode ajudar a construir algo, que ainda nem sei o que é.

Em cada pedaço que "coleto", vejo um mundo de possibilidades, vejo um bordado, uma colcha colorida, uma bijouteria ou cortina...que um dia, poderá me dar conforto aos olhos ou abrigo ao frio das coisas padronizadas.
É claro, há os retalhos que quase se rasgam, de tão desgastados que são, ou até quase podres. Há cacos, estilhaços, restos de implosões, coisas impossíveis de "costurar"...

Mas, no conjunto, tudo se harmoniza, os velhos, os novos, os de cores berrantes, os mais discretos e até aqueles bem "defeituosos" ou cheios de marcas...parece que foram feitos para estarem ali, unidos um ao outro, formando um belo todo.

Divagações folares pascoais

\/ndre\/
25/03/2005 11:42 meditação
Sexta-feira Santa é dia de pintar as casquinhas de ovos, como manda a tradição. Bom, pelo menos eu tenho essa tradição. E ovos lembram galinhas.
Galinhas lembram fazendas.
Fazendas, por sua vez, lembram homens rudes.
Por livre e espontânea associação, dedico essa receitinha ao Gen. Bento Gonçalves, que não era rude, mas era fazendeiro das charqueadas. E o Rio Grande do Sul é cheio de tradições de Páscoa. Uma delas é esta: pintar casquinhas de ovos, para presentear na Páscoa.
E o recheio das casquinhas pintadas é amendoim com açúcar: 1/2kg de amendoim torrado e sem pele, 3 xícaras de açúcar branco e 1 xícara de água. Fazer uma calda com açúcar e deixar em 'ponto de fio'. Tirar do fogo e acresentar os amendoins, mexendo até açucarar. Rechear as casquinhas, tampar com uma forminha e embalar.
Assim é que eu 'medito' na sexta-feira santa. Amor, culinária e tradição andam abraçadinhos.
Werner
27/03/2005 04:55 Nossa!
E eu achava que isso de pintar casacas de ovos que depois são recheados com amendoim cozido em açúcar fosse coisa de alemão.
Mas tudo isso, ovos, chocolate, amendoim, marzipã - afinal, qual é a dieta desse coelho ovíparo pascoal?
Maria
27/03/2005 12:43 E o folar?
Aqui pela Lusitânia, folar tem dois sentidos, ambos pascais: a prenda que os padrinhos dão aos seus afilhados; mas também um doce típico da quadra.
Mas desse é impossível dar uma receita, pois ela diverge consoante a região e os seus produtos típicos. Há muitos tipos de folar - mas, ai,ai, todos bem apetitosos!
\/ndre\/
28/03/2005 02:46 Werner:
Trago comigo as tradições dos dois 'lados' da minha família. Alemã, por parte de mãe(Daudt)e italiana por parte de pai. O coelho ovíparo é muito 'forte' do meu lado alemão, apesar do lado italiano estar estampado na minha cara (e resto).
Maria: folar? Tente explicar, querida, senão eu vou ter um treco! Minha curiosidade culinária pode até me matar! E eu sou muito novinha para morrer...ainda mais disto.
Maria
28/03/2005 04:40 Que tem agora o folar?
O "tirocínio" ainda vai, concedo que é uma palavra meio pesada. Mas folar, qual é?Ainda agorinha mesmo, a minha madrinha me deu o meu folar (presente): um belo livro de receitas.
Mas também estivemos a degustar um folar (um bolo) que eu trouxe do Algarve, por ser diferente dos que se usam no norte.
Muitos folares (não era o caso deste) levam ovos inteiros incorporados. Quando o bolo vai ao forno eles ficam cozidos. E como são colocados à superfície, servem de enfeite original ao bolo.Vou ver se há receitas na net e mando.Podes ser muito boa cozinheira e ignorar sempre alguma coisinha! Haja novidades nas nossas vidas!
Werner
29/03/2005 11:54 Andréa
Daí vem os ditados:
Casa de quituteira, folar de pau.
E:
Quem com folar fere com folar será ferido.
Ou ainda:
Pimenta no folar dos outros é colírio.

Maria
29/03/2005 23:43 Podes zoar...
Mas as palavras têm poder: ontem recebi um belo de um folar de uma ex-aluna transformada em amiga (o que felizmente me acontece bastante).E é de um tipo que eu tinha esquecido de mencionar.Portanto, Andrea (e demais) aí vai MAIS folar. Este, o folar típico transmontano, não é doce, é salgado. Parecido com o que, "na cidade", se vende como "bôla de carne". Portanto é um tipo de pão, mais "gostoso" que pão normal, bem levedado e recheado de pedacinhos de carne, sobretudo presunto, chouriço, enfim, coisas de sabor forte.
Para mim que adoro "salgadinhos", mais que doces, este é a quintessência dos folares.Repito (e aviso!)as palavras têm força: falei em folar e ele caiu-me nos braços, assim de surpresa.
São estes os "milagres" em que eu acredito!(isto para manter um pouco o tom da quadra que acaba de passar...)Vêem, nem só de chocolate vive o homem!O tal coelho, melhor coelha, é parideira de montes de coisas!!!
\/ndre\/
30/03/2005 03:32 Pelo que pude entender...
...com a ajuda de meus brilhantes amigos, e dentro da minha ignorância ingênua que mantenho por vontade própria, essa palavra - folar - tem um quê de subjetivo e outro alternativo...uma palavra de múltiplos sentidos. Pode ser uma dádiva milagrosa, um pão, um objeto de cozinha...Não irei ao dicionário, definitivamente.Ficarei assim, com seus vários significados suspensos no ar.
Será bem mais...emocionante.
Uma pavra fácil de rimar.Folar.
- Olhe ali, não é um urso folar?
- Veja, lá no céu, a estrela folar!
- Pare de me folar, menino!
- Olha, folar eu folei, mas ainda tá desfolado!
Maria
30/03/2005 04:10 Isso...
Tenho uma amiga que é um verdadeiro folar!(a dádiva, o pão, o doce - agora essa do objecto de cozinha, é folírio teu!)Beijo.
\/ndre\/
30/03/2005 05:12 Então um ex-folar...
...poderia ser um folar que foi e que já não o é mais?
Maria
30/03/2005 07:06 É...
...quer dizer que já foi comido!
Raio de verbo polissémico!

bingo!


"Hoje vi o sol nascer gelado, lento.

O tempo passa devagar;

passa, e me leva junto,

mas não sei para onde estou indo."



A frase-verso não é minha, mas é como se eu a tivesse escrito, tal a semelhança daquilo que sinto com isso que está escrito. A frase é de Babul, naquele tópico setembros...e eu digo que os anos deveriam começar em setembro. Preferências não se explicam, me disseram. Então, deixo aqui isso pairando no ar. Não saberia explicar, mesmo...nem para mim mesma.
(na foto, alguns croquis...podem vingar...ou não.)

08 setembro 2006

nem um pouco comestível

Lembram daquele famoso quadro de Manet? Pois é. Achei isso aqui quando fui pesquisar imagens de piqueniques interessantes. Tudo de cera. Não pode esquentar muito, senão derrete...
aí...bye-bye piquenique.
Mas o site http://www.fibitz.com/piquenique/index.html é interessante de visitar.
Quem estiver a fim de um piquenique temático, dá uma olhadinha no cardápio e nos acessórios...o problema é que vai demorar para chegar. Tem que atravessar o Atlântico.
E se entrarem em http://www.fibitz.com/piquenique/lightning.html, verão essa maravilha aí iluminada por raios...artísticos.
Uma combinação perfeita, com dúvidas.

Piquenique orkutico-filosófico- parte I

\/ndre\/
Bom, continuo na culinária, apesar da contenção atual. Mas, como sou teimosa e gosto do assunto, coloco aqui uma...variação sobre o mesmo tema, só que mais, digamos, fora do ambiente de todo dia.Quer dizer, fora do habitual, as coisas podem ter outro sabor.Uma árvore, uma toalha xadrez, uma cesta, amigos, tempo para gastar e "algo" para mastigar. Puro deleite.Ah, vale tudo, em todos os sentidos da palavra pique-nique. Comer fora, sair da rotina, copos e pratos de plástico, compartilhar guloseimas...
\/ndre\/
26/10/2005 12:44 Bom......quando falo em "compartilhar guloseimas", refiro-me exatamente ao que vocês pensaram. Nada de egoísmo, meninas! O sol nasceu para todas!
Maria
26/10/2005 14:25 Pois, poisMas, na verdade, nasce primeiro para a Aki! Depois aquece-me a mim...e só depois vai até aos últimos a chegar à civilização!!!Bom, mas vejamos o pique-nique: sem aves gripadas, sem vacas aftosas, sem peixe mercurizado, sem suínos pestíferos...só resta mesmo, sem perigo... o segundo sentido! Para além de nos forçar a dietas periódicas e rigorosas...
Maria
26/10/2005 14:28 E até que......em cima da toalha xadrez, não ficaria mal!Andrea, és perseguida pelas toalhas! Ou é o teu fetiche...de boa dona de casa, claro!
Maria
27/10/2005 02:34 Pique-nique à portuguesaQuando eu os fazia, "a long time ago", não podia deixar de ter: ou um arroz de frango, ou um arroz de pato.Essas coisas praticam-se por aí, donas brazucas? Espero esclarecimentos.E, já agora, faço saber que, em Portugal, os churrascos estão muito limitados, em zonas florestais, pelos perigos de incêndio. Quem avisa, amigo é!
\/ndre\/
27/10/2005 06:53 Até que a idéia é muito boa!Uma toalha estendida sob a copa de um flamboyant florido, uma brisa leve, uma localização erma, alguns plácidos boizinhos pastando, o barulho de uma pequena cachoeira em um riacho próximo, um vestido leve de algodão, um chapéu Prada (igualzinho àquele que voou para o rio Tramandaí, quando eu estava tentando ensinar meus 2 filhos a pescar sardinhas, lá naquela ponte Tramandaí-Imbé...ai,ai) de abas largas com uma fita azul, e uma cesta repleta de...barras de cereal.Magnífico. Mas...tá faltando alguma coisa...o que será?
Maria
27/10/2005 08:51 Deve ser...a sobremesa! Mas como, se não há mesa?
Maria
28/10/2005 05:14 Mas então......afinal o que se usa nos pique-niques brasileiros (além do chapéu de aba larga com fita...)?Quero dizer, qual a "sustança"?
\/ndre\/
28/10/2005 07:18 A gente come o que quiserAqui não tem cardápio fixo, entende?Pique-nique é feito prá isso. sair da rotina, em todos os sentidos...
Maria
28/10/2005 09:11 Entendi!No próprio decurso do pique-nique, vão pescar, vão caçar, apanham uma frutinha dos quintais! Realmente deve ser mais "radical".E depois, sesta na rede... (nunca entendi como se pode dormir numa coisa dessas! além de outras práticas, a que tenho visto alusões nas novelas de "sinhôzinhos" e escravas...)
\/ndre\/
É pior do que você imagina!Dormir em rede tem um segredinho, portuga, não é para qualquer um. É preciso "atravessar-se" na rede, para o corpo ficar estendido, senão fica em forma de uma banana.E, curiosidade: sabia que existe rede "de solteiro" e "de casal"? A de casal é um pouco mais larga, mas eu já digo que não adianta nada...vai ficar um em cima e outro em baixo, não tem jeito de acomodar-se.Falo por experiência própria, é claro.
Adriana
30/10/2005 15:25 Um pic-nic, para mim,deve ser como aqueles quadros antigos(seria Monet?)- ambiente de sec. XIX ,em campo verde e florido,à beira de um lago ,com um pano estendido no chão,um belo cavalheiro tomando vinho,acompanhado de uma bela dama de chapéu e um belo vestido florido e esvoaçante(eu),apreciando queijos e pães,aguardando a sobremesa(c/ duplo sentido,sem mesa mesmo,MAria.No gramado mesmo..)
\/ndre\/
01/11/2005 05:36 Sua descrição......lembrou-me aquele filme "Razão e Sensibilidade". Lindo filme, lindos atores e atrizes. Eu adoro esses filmes e esses atores ingleses.
Maria
01/11/2005 12:26 Muito bem!Vamos lá fazer pique-niques para o sec. XIX!Andrea, põe a funcionar a máquina do tempo.Eu cá, levo para o meu quadro, o Jeremy Irons. E vocês?
Adriana
01/11/2005 14:40 Andrea,também adoro esses filmes ingleses do séc. XIX.Queria ter vivido esta época.Maria,s for p/escolher um ator britânico escolho o Hugh Grant(se não me engano,ele stá em "Razão e sensibilidade") ou o Ralph Fiennes(acho ele um charme,desde o "Paciente Inglês")
Maria
02/11/2005 02:01 E tu, Andrea?A Adriana já te "roubou" dois de olhos azuis (acho eu...). E agora?Eu, prudentemente, arranjei logo um de olhos castanhos...
\/ndre\/
02/11/2005 04:32 Como é o nome dele?Aquele ator, de "Razão e Sensibilidade", que casa com a Kate Titanic no final?
Maria
02/11/2005 08:33 Eu bem digo......que vocês ainda vão bulhar! Então esse não é o Hugh Grant? Bom, se a Adriana se resolver pelo Ralph Fiennes (o que eu faria neste caso, mas prefiro o irmão Joseph...)fica tudo bem.É preparar a merenda. Ou vai dar tudo no mesmo?
Adriana
02/11/2005 16:45 Tudo bem,não vamos brigar!Cedo o Hugh Grant p/ a Andrea e fico com o Ralph Fiennes(prefiro ele ao irmão,Maria).Viu como podemos dividir tudo aqui?
\/ndre\/
03/11/2005 06:09 Não é do Hugh que eu falo!O Hugh casa-se com a irmã da Kate Titanic...e de quem eu também não lembro o nome (devia abrir aqui aquele tópico do Alzeimer!!!).Eu falo é daquele outro bonitão, que era o xerife malvado no "Robin Hood" do Kevin Kostner.Ah, deixa prá lá, eu vou é pesquisar!

\/ndre\/
03/11/2005 06:16 É Alan Rickmann!!Esse é o bonitão, o Coronel Brandon de "Razão e Sensibilidade". Nem sei qual é a cor dos olhos dele, mas era com esse aí que eu queria fazer meu pique-nique temático.
Maria
03/11/2005 10:13 Bem visto, sim senhora!Eu também acho esse actor muito interessante. Acho-te mais bem acompanhada, Andrea, do que com o meladinho do Hugh Grant.Aki, diga lá, como é um pique-nique à japonesa? Em qualquer século! Leva-se um samurai, o primeiro ministro dançante, um sismógrafo? Vai-se de quimono, espero, e merenda-se debaixo de cerejeiras? Oba, eu adoro cerejas!
\/ndre\/
04/11/2005 02:25 Cerejeiras em florSão realmente lindas...mas cuidado para as flores da cerejeira não caírem no seu sanduíche. O gostinho do pikles vai ficar meio estranho.Eu até acho que os japoneses tão sempre fazendo pique-nique! Vejam só, as mesinhas baixinhas, as almofadinhas, os pauzinhos, as cumbuquinhas de chá...tudo tão singelo e bucólico!
Maria
06/11/2005 02:37 Pickles fazem-me malMelhor mesmo experimentar as flores de cerejeira nos sanduíches.Bom, pique-niques agora por aqui, só em "jardins de inverno", onde o ambiente de estufa também tem a sua carga sensual, mas de um tipo mais decadente, como num romance que eu e a Adriana estamos a ler.Lá fora...está bom para amantes da natureza selvagem e...pneumonias!
Adriana
06/11/2005 06:03 Maria,são bem sensuais aquelas cenas de Hyacinthe e Durtal,não?Mas aqueles ambientes fechados em nada me lembram pi-nics!
Maria
06/11/2005 08:12 É mesmo...não me lembro de chapéu de palha, nem de toalha aos quadrados. Lareira, lençois...Mas acho que o prato principal era de tipo "frio", não?
Adriana
07/11/2005 16:29 È verdade,rss...era frio,mas picante
\/ndre\/
07/11/2005 16:38 Pique-nique no Taim"A Reserva do Taim é a mais importante do Rio Grande do Sul e fica a 200 km ao sul de Pelotas e antes de Chuí (extremo sul do Brasil e divisa com o Uruguai). Ela possui cerca de 33.000 hectares, num ecossistema dominantemente pantanoso, com vegetação e fauna típica.É composta por bosques entre figueiras e corticeiras, em ecossistema predominantemente pantanoso, ao lado de dunas e praias. Localiza-se num istmo na península do Albardão, isolada, de um lado, pelas lagoas Mangueira e Mirim e, de outro, pelo Banhado do Taim, tendo o Oceano Atlântico ao Leste. A reserva é habitada por inúmeras espécies de peixes e animais silvestres, como jacarés, lontras, capivaras, ratões-do-banhado, além de lobos marinhos. Aves aquáticas de muitas espécies vivem no Banhado do Taim e outras, de toda a América, fazem dele um pouso em suas rotas migratórias. A mais conhecida entre as que habitam a reserva é o mergulhão. A única estrada que liga a cidade e o vizinho município Chuí - que faz fronteira com o Uruguai - ao resto do País, a BR 471, foi aberta no governo Dutra, de 1946 a 1951, e asfaltada apenas em 1970. São 16 km de pura beleza, onde a velocidade máxima de 60 km deve ser necessáriamente obedecida, em face do encanto do local, da possilidade de atropelar animais e ser multado por um radar eletrônico.Antes de Pelotas vale a pena passar por São Lourenço do Sul e conhecer um pouco da Lagoa dos Patos. Mais ao sul da Reserva se chega a cidade de Chuí, que é o extremo sul do Brasil e faz divisa com o Uruguai. Alí você poderá comprar produtos importados. A principal avenida da cidade faz a divisa do Brasil com o Uruguai."
Maria
08/11/2005 02:30 Que beleza!Vou já providenciar o meu chapéu de palha e a minha cestinha. Esse é mesmo o local que eu sempre sonhei para um pique-nique!Quem sabe convencemos o Tabajara a introduzir um pique-nique no filme???Já imaginaram, sentadinhos na relva, os generais com aqueles dolmãs coloridos (e, mais para diante, aquelas camisas de mangas bem largas...)- enfim, coroneis, tenentes...podemos até imaginar o índio a participar no evento, para alegria de alguma dama mais dada ao exótico - e nós com aqueles vestidos de roda, esparramados pelas mantas, pegando nas vitualhas com dedinhos delicados, no meio de risinhos de sacanagem mal disfarçada.Humm, eu que nunca fui muito Séc.XIX, estou a deixar-me embalar! Se bem que tudo isto me está a fazer lembrar um pequeno filme, delicioso, "Une partie de campagne", realizado por Jean Renoir, baseado num conto do Guy de Maupassant.
\/ndre\/
08/11/2005 03:17 "pegando nas vitualhas com dedinhos delicados"Explique bem isso aí, portuga.Essas coisas são de "pegar" ou de "mastigar e engolir"?

07 setembro 2006

Mudança no Roteiro

Cena 13: A tortura das alcoviteiras

***Sugestão para esquentar a estória com uma passagem do General por um povoado onde a grande maioria da população (10-12 indivíduos)são mulheres viúvas(pois os maridos se esfarraparam na Guerra dos Farrapos), maduras, desesperadas e sedentas.

Roteiro da Cena:

O General entra no bolicho.
Atrás do balcão estão duas viúvas e um capataz pederasta, cego de um olho e surdo-mudo.

General: Alguém aqui sabe onde posso comprar pilhas recarregáveis ou baterias?

As mulheres se entreolham. A bixa cega-surda-muda suspira.

Viúva 1(debruçada no balcão, com as mãos cruzadas abaixo do queixo, piscando muito): O senhor quer dizer...velas, mi capitán? Aqui só temos velas, lingüiça, rolo de fumo...e uma cachaça muy buena que veio lá das bandas de Santo Antônio da Patrulha...

General (muito contrariado, batendo no balcão): Mas que porra de vela! E uma tomada, tem alguma tomada por aqui?

Viúva 2(esgueirando-se sobre o balcão,com um estranho brilho nos olhos): To...tomada? Usted não estaria querendo una gemada? Podemos providenciar uma, já, já!

A bixa cega-surda-muda (assim, meio encostada na parede): Tomada? Como aquela de Laguna?


Diretor: -Corta!

Poesia Coletiva, ainda sem título.

Versos do Paulo Marrum:

Se a verba anda difícil
Vá ao Motel Matagal
Vale a pena o sacrifício
Mostre a cobra e mate a pau...

Versos meus:

Mostre a cobra e mate o pau
é coisa que só se faz
quando a cabeça está cheia
mas nada no bolso de trás.

Mas mesmo com o bolso vazio
Corra logo ao Motel Matagal
Mesmo não tendo a lata
e o charme do Sidnei Magal!

Versos do Babul - o tímido:

Fecha temporariamente
O nosso motel natural
Precisa reforma urgente
E proteção para o...* bem, proteção para o cliente, tá bom?

Versos meus - não sou tímida:

Prá proteger o bilau*
Você deve ser esperto
Cuidado com sapos e cobras
e outros bixos por perto.

Mas, se a reforma urge
faremos uma campanha:
Motel Matagal novo em folha
em menos de uma semana!


(Isso aqui é uma colagem de posts, no tópico "Poesia", comunidade orkútica do Werner Schünemann. Não pedi permissão ao Paulo nem ao Babul. espero que me perdoem por essa.)

Gigões & Anantes

"Gigões são anantes muito grandes.
Anantes são gigões muito pequenos.
Os gigões são diferentes dos anantes
porque uns são um bocado mais
outros são um bocado menos.
Era uma vez um gigão tão grande,
tão grande,
que nem se sabia em que é que ele não cabia!
Mas havia um anante ainda maior
que o gigão e esse então
nem se sabia se ele cabia ou não.
Só havia uma maneira de os distinguir:
era chegar ao pé deles e perguntar.
- Mas eram tão grandes que não se podia lá chegar.
- E nunca se sabia se estavam a mentir.
Então a Ana como não podia resolver o problema
arranjou uma teoria:
xixanava com eles
e o que ficava xubiante ou ximbimpante era o gigão
e o anante o que fingia que não.
A teoria nunca falhava
porque era toda com palavras que só a Ana sabia.
E como eram palavras de toda a confiança
só queriam dizer o que a Ana queria."
(Manuel António Pina, «Gigões & Anantes»)
Poesia dedicada a mim por uma grande amiga de além-mar.
A ilustração é outra daquelas relíquias que carrego sempre. Um pôster que comprei para decorar o quarto do meu primeiro filho, há 18 anos atrás.

Viver

Pois, vejam só: tenho 45 anos!

Se viver até os 90, estou na metade. Mas se morrer aos 80, já passei dela. E se aos 70 bater as botas, faltam só mais 25 prá este acontecimento. Será que estou muito otimista? Tá bom, pode ser que eu morra aos 60...ou mesmo aos 50, daqui a apenas 5 aninhos.

Ou pode ser daqui a 5 minutinhos...quem é que sabe?

Em pensar que há tantos que vivem pensando nisso...na sua idade e no que ela traz consigo. Por mim, viveria muitos e muitos anos, dando um "jeitinho aqui e ali", por fora e, principalmente, por dentro. Pois é por dentro que começa o processo de habilitação e vitalidade...a começar pelo que colocamos para dentro de nós mesmos, e a terminar pelo que jogamos para fora de nós.

06 setembro 2006

Areia dourada e unhas pintadas

Em Ilhéus a areia na beira da praia parece misturada a pó-de-ouro.
Adoro caminhar por lá.


Tá.

Sim.

Aham.

Política não se discute?


Da esquerda para a direita: Werner (bancando a bixona...), Edu (tocava um violão que era uma maravilha!), Haroldo ( o nazi-facista...), Ribeiro (contendo o sorriso de sempre), Zeca Justo com o caneco e língua de fora. Entre as pernas do Haroldo, o Peter Hübbe. Entre o Haroldo e o Ribeiro, o Gans (em baixo) e...me perdoem, mas não sei quem é este que está com o copo na boca.
Os que estão lá atrás eu não consigo definir...alguém me ajude, por favor!
Era tudo festa naquele tempo. Éramos todos brincalhões, fazíamos e acontecíamos na maior das neutralidades...hehehe...que exagero.
Tá certo, havia sempre alguma aberração(!!) aqui e ali. Mas, de uma forma geral, vivíamos em paz com as nossas presepadas inconsequentes. Tudo tinha de ser experimentado e posto à prova. Nós, que éramos sabatinados e postos às provas constantemente - de física, de matemática, de portugues, etc. -, tínhamos a obrigação de fazer a nossa parte, de dar a nossa contribuição ao cancioneiro coletivo da turma. Uma história, a nossa história. E, naquela pretensão e arrogância adolescente romântica, a nossa história tinha de ser a melhor de todos os tempos, não importasse o que tivesse de ser feito.
As poses caprichadas para as fotos-relíquias, as atitudes impensadas ou maquiavélicamente calculadas pela mente juvenil, o verbo irresponsável avassaladoramente atirado ao ventilador...nada disso se perdeu, está cravado nas memórias de todos, e dali não sai até hoje.
Mas depois disso, os caminhos que cada um de nós tomou para si se embaralharam na imensa malha dispersa e insegura, deixando-nos livres e ao mesmo tempo presos a um passado comum, registrado em fotos, documentos de escola, cicatrizes de batalhas, alianças de casamento, bilhetes guardados a sete chaves e outros recuerdos de valor inestimável.
Não é de se estranhar que hoje discordamos uns dos outros. Fomos treinados para pensar por nós mesmos, a tirar as próprias conclusões daquilo que acontece à nossa volta. Nos tornamos estranhos uns aos outros na nova forma de pensar e agir, mas o passado comum ativa a lembrança dos fios que ainda teimam em nos unir. São como uma teia de aranha, convergendo para o centro, onde todos nós nos encontramos constantemente, saudosos e com uma imensa vontade de voltar a ser como éramos.

Um sorriso doce, de um anjo Dulce.

It's a good day to be alive!

Por certo estamos aqui por alguma razão. Olha o óbvio ululando aí...se tudo está inter-relacionado, e tudo está atrás de respostas, como é que eu vou chegar ?

Tenho algumas inquietações constantes, curiosidades insanas sobre tudo. Queria entender, queria muito. Parece que que só depois que conseguir esse feito é que vou sossegar...e - talvez -aceitar as coisas como elas são.

Acho que isso é normal, conheço muita gente assim. Bom. Ansiosas com causa, desejosas sem causa e outras maravilhas. Gente tem que ser assim, prá ter graça.

05 setembro 2006

Tive a felicidade de pintar este quadrinho para colocar no quarto de Anabela.
Um passarinho.
Flores.
Uma borboleta-de-Klimt.
(Ninguém ouviu falar ainda das borboletas-de-Klimt. Tenho que dar um jeito nisso. Tempus Fuggit)

Vida Simples ou Simples Vida?

Gosto muito da revista Vida Simples. Sempre quando passo por uma banca, procuro por essa. Gosto de bancas, mas não de assinaturas. Assinar só em último caso. Só dá zebra, últimamente. Eu sei, tudo pode melhorar...mas eu gosto de ir à banca e pronto.

Na última - que comprei no supermercado, e não na banca - tem uma reportagem muito boa e interessante sobre A Felicidade. Pode ser um lugar comum, mas, acho super difícil definir esses entes abstratos, como este aí, que é a tal da felicidade. Lembrei das Frenéticas...saudades.

Sou feliz quando pego no pincel - sei, o duplo sentido - para aquarelar ou pintar. Como uma extensão da minha mão, que por sua vez é uma extensão do meu cérebro, que por sua vez registra o que meus olhos vêem...ou não. A regra é clara: o papel branco e a tinta sobre ele. O resto é pura felicidade. Bom, pelo menos para mim.

Sou feliz quando vou prá cama - outro idem, idem - dormir, com um saxofonezinho do Kenny G como fundo musical. En on ou off, eu ou o Kenny G, tiramos proveito do estado horizontal, para recuperar sonhos perdidos e inventar novos, entre tantos e finalmentes. Posso ficar na cama até a hora que quiser, e isso é uma felicidade. Tem gente que acha que não, mas...e daí?

Sou feliz quando risco um fósforo e ele...acende!

Sou feliz quando tem sol lá fora e ouço a gritaria da criançada no recreio do colégio aqui perto.

Sou feliz ao observar, de minha sacada, a beleza que é o jardim da casa vizinha, com o seu Chico, o jardineiro faz-tudo, sempre metido em alguma empreitada para deixar a coisa ainda mais linda para os meu olhos ávidos de belezas naturais. As orquídeas precisam de uma poda para ficarem mais "simétricas"? Lá vai o seu Chico. O piso em volta da piscina está escorregadio, cheio de musgo por causa do "inverno"? Lá vai seu Chico fazer aquele barulhinho com a lava-a-jato. Bom, confesso que nessas horas de barulhinho chato a minha felicidade diminui...

Sou feliz quando recebo mensagens no celular. Aliás, sou feliz - agora - por ter um celular. Antes eu detestava esse aparelhinho delator de esconderijos...e também uma espécie de detector de mentiras, pois não há como escapar dizendo "não, não tem nenhuma ligação sua aqui registrada..." ou "não recebi sua mensagem, acho que o satélite pifou" ou...bem, tem várias dessas aí para serem inventadas ainda - por algum cara-de-pau, é claro...

Sou feliz comigo mesma, rio de mim mesma...e olha que eu já fui uma megera comigo. Eu não me deixava em paz. Mas acho que essa fase passou.

04 setembro 2006

Maravilhas da Natureza I

Aqui está um exemplo de uma planta muito estranha. Toda a vez que passo por esta praça tenho uma estranha sensação de
estar observando uma coisa inédita.

Bom, pelo menos para mim é inédita.

Sinto-me como uma pesquisadora botânica curiosa, com uma imensa de coletar e dissecar aquela coisa, e descobrir seus segredos.

É a forma dela que me intriga, mais do que tudo. Notem que ela se ergue ao céu e, de repente, sem mais nem menos, curva-se numa atitude de...de...desistência ou coisa parecida.

Seria por causa do peso próprio ou da gravidade? Seria por causa da falta de nutrientes no solo, de adubo orgânico com minhocas embutidas? Seria por causa da falta de carinho dos passantes?

Isso me intriga. Me tira o sono. Me faz pensar nas estrelas e me leva, quase sempre, a lugar nenhum.
(da série Mitologia, sem título, acrílico s/t, 1999)

"Se não eu quem vai fazer você feliz...guerra!"

"Eu me flagrei pensando em você...
...e vou fazer de tudo o que eu puder...
...em uma noite especialmente boa."

Não necessáriamente nessa ordem, a letra da música não é bem assim.

"Eu posso te ligar a qualquer hora...
...mas eu nem sei o seu nome."

Eu sei o seu nome. Eu sei de onde você vem. Sei que você é multifacetado, como um belo diamante. E estou aprendendo a lidar com o brilho de seus vários lados. Se bem que, nem todos os lados brilham...algus são bem opacos e outros até parecem "buracos negros".

Vou criar um lado meu para cada lado seu. haverá até o meu lado "buraco negro"(hehehe, olha aí um belo duplo sentido...). Ah, e os meus lados brilhantes vão refletir o brilho dos seus...mas, não se preocupe, nem de de longe me passa pela cabeça sequer querer te ofuscar.

Se um lado seu refletir o céu, o azul virá na minha direção e você até poderá vê-lo nos meus olhos. Se outro lado seu refletir o rio, e o rio for de águas turvas, meu lado sol tentará suavizar e iluminar - pelo menos - essa superfície provisória.

Para cada face, para cada lado seu, eu vou procurar o meu correspondente, prá poder encaixar no seu. E, se você mudar em um outro dia, eu mudo também.
Mas sei também, agora, que nem sempre os encaixes acontecem assim, tão fácilmente. Não vou banalizar, nem tornar um lugar-comum. É preciso pensar na dinâmica do processo. E o processo é o melhor de tudo. Parece frio e calculista, não? Mas é assim mesmo. Você entende. Tudo é, antes, processo.

We always play games, you know?

"Ela achou meu cabelo engraçado...
...proibida prá mim...no way!"

03 setembro 2006

Ainda o Efeito - Borboleta. Que coisa!

O que a Sandra Bullock tem que eu também tenho?

"Na mirada, como dizem os uruguaios", meu rosto numa foto lembrou a moça que é uma das namoradinhas da América. Fico envaidecida com essa lembrança, mas...fala sério(sic)!

Meu sobrinho Aramis me disse outra vez que eu era parecida com uma top model, capa de uma revista que estava na mesinha da sala, lá na praia. Fui verificar quem era a dita cuja. Nada mais, nada menos que a Daniella Sarahyba! "Tás louco?", eu disse a ele, e ele respondeu um "Ela me lembra de ti, tia, o rosto dela é parecido com o seu." Fiquei olhando um tempão a capa daquela revista, sem dar muito crédito ao meu sobrinho. E ele ainda complementou com um "sério, tia!", o que me deixou atônita.

Por fim, aceitei aquilo como um elogio e, a partir daí, comecei a ficar mais complacente comigo mesma. E como isso muda a gente por dentro!

Lembro de quando me achava feia e gorda, detestava meu cabelo, meus pés, reclamava de minha pele cheia de cravos e espinhas...até da minha altura eu reclamava. Baixinha demais, bunduda demais, coxuda demais. A adolescência é uma fase cruel para quem tem uma baixa auto-estima e a minha era mínima. Sempre me comprava às minhas amigas e, é claro, perdia feio para elas...e por conta disso deixava no ar a minha frustração, o que contribuía para que quem chegasse perto de mim recebesse automáticamente um aviso de não chegar perto, pois ali não haveria nada de bom para se "ver".

Muito ruim isso, né?

Eu era assim, já entrava na boate com aquela sensação de que ficaria sentada o tempo todo e que ninguém ousaria me tirar para dançar. O escurinho era poderoso, poderia esconder muitos dos meus defeitos, quem sabe? A altura se resolve com um salto alto, as espinhas ficam disfarçadas por uma boa maquiagem, e os olhos poderiam ser realçados com um bom jogo de sombras e boas camadas de rímel. E os cabelos? Deveriam estar lisos e brilhantes. E eles até ficavam assim, mas depois de algum tempo os fios teimavam em voltar ao seu estado original...arrepiavam-se primeiro e depois - o horror - perdiam totalmente o brilho.

Lembrar estas coisas me incomoda muito, fico com raiva do que eu pensava de mim mesma. Sei que não devia pensar assim, mas, ah, como eu gostaria de estar lá, novamente, mas com a cabeça que tenho hoje.

Certamente tudo seria bem mais fácil e eu saberia exatamente o que fazer naquelas situações ridículas que aconteciam, por eu ser tão boboca.

02 setembro 2006

Fragmento de coisa alguma, aquarela, sabe-se lá quando pintei.
Adoro pegar a coisa bem novinha e experimentar.
Taí um resultado possível.
É só respirar e pintar. O resto vem sem sentir.

Estar a um passo de...

Está quase.
Quase pronto. Falta pouco.
Está a um passo sómente, mas um grande salto...e tudo estará como deveria estar.
A descoberta é reveladora demais e impossível de deixá-la ali por razões tão bobas, tão frágeis.
Já é hora de acordar, o dia clareou
mas agora, vou chorar
a chuva te levou...
Tudo vai para o seu lugar, com o tempo, e isso é absolutamente fantástico.
Foi bom te abraçar em sonho.
Procurei teu olhar onde o vento faz morada,
me perdi na estrada...
Viajei, sem parar, horizonte, madrugada
Fui dormir, sózinha.

"Rainha", guache e lápis de cor, 1998.

01 setembro 2006

"Rei", guache, nanquim e lápis de cor, 1998.

Lança, Cuba, lança...quero ver Cuba lançar...

Pré-munição:
Fidel será mumificado e será transformado em um boneco articulado, com voz eletrônica e controlado por computador, tipo o Robocop. É claro, ele já gravou todas as falas, todos os discursos, todos os gestos...ele mesmo se auto-programou para durar mais 200 anos, e, ao final disto, seu sistema se auto-destruirá como uma bomba atômica e afundará Cuba
para todo
o sempre.

Cuba será a nova Atlândida.