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29 junho 2010

Vazios

Leio uma cronica de Lispector falando do ovo. Páginas falando de um ovo. O que falar sobre o ovo?

Pois ela consegue. Falar do óbvio, quero dizer. Deus, quer me torturar? Peça para eu falar do óbvio.

O óbvio é chato. É repetitivo. É vazio, nada acrescenta. Mas, mesmo assim, é fácil se perder no óbvio.

Quem nunca quis o óbvio, se perde nele por não se achar nele.

07 janeiro 2010

2010

Fiz 49 anos e botei o pé no ano do meu cinquentenário.
O que dizer disso?
Sinceramente?

Nada.

01 outubro 2009

Dia de escrever

Tarde de chuva e na tv, "Marley & me" pela segunda vez.

Pela segunda vez. Só.

Não sei quantas vezes eu já tentei novamente. Não falo de ver o filme, falo de minha busca e daquilo que sou atualmente: uma artista tentando voltar a acreditar em sua arte. Perdi as contas de quantas vezes sentei à beira do caminho e fiquei ali, sem ir nem vir. Perdi-me tentando encontrar o fio que me unia à minha veia jugular criativa.

Aí Anabela bate a cabeça na parede. Leva a mão onde dói e pergunta "mãe, a parede é mais dura do que o chão?", e eu digo um "acho que é tão dura quanto" e então a coisa começa a acontecer. Muitas perguntas. E eu tenho que responder a todas elas.

Vejo tanta coisa acontecendo à minha volta, digna de registro. Mas isso só acontece quando eu me aquieto e esqueço o meu drama atual. Parece que estou presa num limbo, que só vejo a um palmo diante do nariz, ou só percebo coisas num raio muito pequeno ao meu redor. Há uma constante nuvem de chuva sobre a minha cabeça - como num cartoon antigo -, mesmo em dias de sol.

Tia Ivone disse-me que estou num ano péssimo e que isso vai passar somente depois de meu aniversário. Coisas da numerologia. Acho que eu não devia ter ouvido isso...acreditando ou não, até o final de dezembro, o que eu faço?

Pensando bem, melhor acreditar e girar o botão da paciência até o máximo. No final do ano, então, vou poder finalmente respirar-me de novo.

02 julho 2009

calor e sol

Agora eu entendo a tia Maria, quando ela, na sua beleza e magreza enfiada dentro de casacos de lã, em pleno inverno, reclamava totalmente contrariada do frio intenso que a maltratava.

Ela, como eu, já havia se beneficiado em morar em terras onde o sol e o calor reinavam absolutos. E só quem passou por essa experiência sabe o que quero dizer. Não há como fazê-lo sem autoridade.

O frio é uma dor. E para nós que somos friorentos, a dor é maior ainda. As mãos e os pés gelam, o nariz avermelha. Nos tornamos bichos acuados, só queremos o calor de uma cama lotada de cobertores e só a cabeça fica de fora porque é necessário respirar.

A experiência do retorno ao frio é muito pior do que adequar-se ao domínio do calor. Eu que o diga.

21 fevereiro 2009

Descongelando

Congelamos para usar depois, essa é a regra.

Congelamos para manter a coisa a salvo da degradação.

Mas o freezer da memória está lotado.

E há de chegar o dia de esvaziá-lo e limpá-lo.

06 novembro 2008

rugas

Sempre discordei das rugas de minha testa, entre as sobrancelhas. Nada contra ter rugas, todo mundo tem ou terá as suas, é normal. Só que eu preferia ter somente aquelas nos cantos dos olhos, bem mais animadoras.

Esta não sou eu, digo a mim mesma, analisando meu rosto no espelho. Este ar sério é só cenografia facial, nada mais que isso. É puro truque. E convence, mesmo sem eu mesma me convencer. Os sulcos entre os olhos me fazem ficar com ar de mulher má. Se eu fosse atriz, só seria escolhida para papéis de bruxas e congêneres.

- Você me batia na bunda e depois vinha pedir desculpas, mãe, hehe - me diz o Meco, rindo.

E ainda pedia desculpas sangrando por dentro. Mães precisam educar seus filhos...mas a que custo é isso para mim!

Sou mole. Sou fraca. Nunca fui de briga. Detesto barracos, xingamentos, provocações, histerias, passeatas. Mas minha face teima em dizer o contrário.

Já pensei em botox, cirurgia plástica, esticar a testa, usar uma máscara, e talvez um dia tente alguma destas coisas para dar um jeito de fazer casar o meu interior como meu exterior. Meu interior é fofo, como aquele recheio de almofadas e bonecos de pelúcia ou derretido ao primeiro contato como um rosado algodão-doce. Já a minha casca é séria e seca. Muito séria e muito seca.

Dentro de mim há uma vontade imensa de sorrisos. Mas posso fulminar alguém com um simples olhar. Como pode?

31 agosto 2006

Inquietações sobre o "Efeito Borboleta"


Um professor de Física me chamou, nos meus 17 anos, em plena aula, de "inteligente preguiçosa". Falou isso pois achava que eu poderia ter ido além daquela resposta que dera em um trabalho de experimentação. Falou-me isso porque achava que eu podia MAIS. Eu havia acertado a resposta, mas ele queria mais de mim. E, no seu julgar, achava ele que eu podia ter ido mais além.
Meu professor de física foi um exemplo para mim. Uma pessoa que me chamou a atenção para um fato ao qual levei anos para entender. Disse-me aquilo com uma intenção: a de me fazer pensar que poderia ir além, que eu tinha condições de sair daquele patamar mediano em que me encontrava. Só que o que me chocou foi a FORMA com a qual ele se dirigiu a mim: "inteligente preguiçosa".
Sensível que sou, fiquei feliz com o "inteligente", mas, ao mesmo tempo, senti-me totalmente incapaz, devido ao "preguiçosa".
E se ele não tivesse me dito aquilo? E se ele tivesse se limitado a me aprovar, sem nenhuma ressalva ou restrição? E se ele tivesse dito "parabéns, você acertou, e tem condições de me dar uma resposta ainda mais interessante"?
Aquilo foi como se ele me presenteasse uma medalha ao mérito pela metade. A outra metade ficara para o meu desejo, para a minha imaginação querer ir buscá-la, onde ela estivesse. Ele queria que eu me movesse nessa direção...só que as PALAVRAS que ele usou para se fazer entender eram palavras pesadas demais para mim.
Por isso é preciso muito cuidado no uso das palavras. Você tem a liberdade de dizer o que pensa, fazer seus julgamentos...mas nunca saberá o efeito que suas palavras podem provocar em pessoas mais sensíveis ou mais frágeis do que você.
(Da série Mitologias, sem título, acrílica s/t, 1997.

30 agosto 2006

Stand By (Me)


A minha mãe sempre me dizia que eu vivia no mundo da lua. E falou tantas vezes isso daí, que eu fiquei meio aluarada...e fico em stand by de vez em quando.
Esse estado, stand by, é altamente produtivo, e eu nem sabia como! Ficar assim, por uns dias, sem nada fazer, só pensando, pensando...ou nem isso.Pego uma revista nova e lá está escrito: "há sabedoria no ócio."
Pronto.
Já tenho a minha justificativa, e nem mesmo precisava dela, pois, para quê justificar o quê não se está fazendo?
Ah, e o beija-flor aí em cima não tem nada a ver com isso.

29 agosto 2006

Ai, a política!

Putz, tou de saco cheio de ouvir falar de política. Que lugar comum essa minha frase.
Mas não tem como dizer isso de outra maneira. O saco, inexiste, mas está cheio. Cheio de ouvir resultados de pesquisas, de ler blogs políticos para ficar atualizada na matéria - afinal, isso vai acontecer, e é o mínimo que posso fazer por mim, para não ficar de fora da roda da história do país onde resido e vivo.

Aquela estória de voto facultativo é que me interessa. E o voto distrital também. E a eliminação dessa porrada de partidos e sua siglas ridículas. Imagine...mas o que é que eu estou fazendo aqui, às seis e tanto da tarde, escrevendo sobre a merda da política? Eu quero é botar o meu blog na rua...escrever minhas memórias, minhas estórias de pescador, minhas estórinhas prá boi dormir...e tou aqui. E vou começar. Todo mundo tem um blog, e eu também quero o meu. Posted by Picasa