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26 outubro 2009

Eu tango com a vassoura

Vassoura na mão,
no meio da sala estou.

(Mas antes abrira as janelas para olhar a manhã chuvosa. As calçadas deslizam suas pedras. Os olhos da chuva são azuis.)

Vassoura na mão,
ar no peito,
um punhado de pó.

Há algo de errado no meu paraíso,
mas eu assim preciso.
Uma dança me espera.

Miro a flor, que ali há o sol.
Aperto o botão e o amarelo salta ao olho.
Uma janela se abre
e algo no ar me diz como agir.

Um para cá, dois mais além,
tres adiante.
Eu sigo um compasso
ditado ao ouvido
pelo violino-fantasma.

("perdoe, maestro, meu estranho ar!")

Eu é que devo - como sempre - conduzir meu par.

03 novembro 2008

a luz da minha manhã

Manhãs de sempre.

Levanto descalça e pesada
como se a cama ainda estivesse deitada em mim.

A luz insiste
quer existir nos requadros da janela,
luz alaranjada,
luz às avessas,
luz de cenário,
como um entardecer matinal.

Todas as manhãs eu me engano.

30 agosto 2006

O mal do gardenal (da série Rimas Ridículas)



gardenal rima com normal
mas isso não interessa
estamos em tempo de crises
para que toda essa pressa?
E se a palavra atrapalha
desbanco aqui essa rima
pois normal é ser imbecil
como essa rima aí de cima.
(A aquarela aí de cima foi feita num momento-gardenal. Pode ter sido até psicografada, mas eu não garanto nada...)

Músicos Pintantes

Ouço música
E tento extrair dela
as cores que preciso
para meus pensamentos.

Ouço música
mas não a entendo
não sei como funciona
a nota musical
sem a cor.

Cada nota,
uma cor.
Quantas notas existem?
Quantas cores existem?
Mistério.

Minha paleta, vazia, pede notas e cores.
Quero começar o meu dia.

(Na foto, aquarela-colagem, inacabada. Não sei quando comecei, faz muito tempo. Nem sei quando vou terminar...mas...prá quê a pressa? Enquanto isso, ouço música. Muitas.)

29 agosto 2006

Browned Eye Woman




Castanhos.

São castanhos.

Olhos e cabelos.

Castanhos da cor da castanha.

Mas não é a castanha-de-caju.

É aquela outra, de casca dura.

Muito dura.

Muito mais castanha.

A Culpa é da Genética!



Quisera eu ter azuis
Mas são assim, cor de melado.
Se o sol bater de frente,
Ficariam meio-verdes,
Mas também, meio fechados.


Quisera te-los azuis
E lábios de Angelina,
Cabelos lisos e brilhantes,
Pele sem manchas herdadas
De uma família de sardas.

Quisera pernas mais longas
E seios bem mais redondos
Do tipo tiro-ao-alvo,
Empinados, firmes, rosados.

A Genética, essa madrasta
Me deu estes trejeitos.
Tem alguns que me acham Linda
Até sem defeitos ainda.

São os olhos de cada qual
Mas nisso eu não me engano
Sei que a entropia pia
E os radicais estão livres.


(Na foto, uma colagem digital, uma brincadeira de faz-de-conta. faz de conta que sou essa daí, tá? E viva o Photoshop!))