01 fevereiro 2011

Suxi-abacaxi



Terminei de ler o livro que estava lendo, Sushi, de uma escritora que agora não me lembro bem do nome, mas isso não importa.
Começou muito chatinho, cheio de apresentações muito maneiras e diálogos igualmente maneiros. Parei de ler, larguei de mão. Não me prendeu à leitura. Tres (tres!) personagens femininos, cada uma com suas características pessoais, etc e tals, cada uma com sua estória de vida, todas jovens e magras, uma solitária que gosta de ajudar todo mundo, outra lindona e mau caráter e outra bem casada e cheia de problemas existenciais, e tudo isso ainda acrescido de uns outros coadjuvantes, como o amigo humorista, a maluquete ninfomaníaca mística retardada, o bonitão misterioso com têmporas grisalhas e peito peludo, o humorista sardento que distribui o número de telefone para as meninas e tantos outros. Muitos personagens para o meu gosto. Muitos. E o ambiente é daquele tipo que todo mundo quer comer todo mundo.
Normal.
E agora me lembrei da Martha M sendo entrevistada pela Marília Gabriela, dizendo que ela escrevia em um cantinho em plena sala, com a vida andando atrás de si, filhas conversando, empregada limpando, telefone tocando, pizza chegando na porta da frente. Como pode? Quero dizer, como é que ela consegue? Simplesmente põe em off o botão e desliga-se do cotidiano? Isso se aprende como? Quero prá mim também. Quero desligar da minha realidade e inventar-me outra.
Como no livro eu talvez pudesse ser Lisa, a lindona magérrima mau caráter de pele de gueixa, que só vai ao super para compara 7 maçãs. Não, estas aí não são para os 7 anões, e sim para serem comidas uma a uma nos 7 dias da semana, juntamente com 7 latas de suco ligt e 7 pecados em forma de chocolate. Talvez eu roesse 7 unhas também, para complementar o cardápio de tédio total. E a moça é do tipo que se acha, e que o resto todo dos personagens que interagem com ela é ralé. Não, é claro que eu não escolheria essa.
Talvez fosse aquela outra, também linda e magra, Clodagh, que tem um simpático lindo louro de olhos azuis musculoso e bem sucedido nos negócios como marido e duas pestinhas como filhos. Mas esta não me atrai, não sei por que. Deve ser os filhos, já passei dessa fase...ou o nome, que é difícil de pronunciar. Até hoje eu não sei qual a pronúncia disso. O marido louro...bem, deixa prá lá. Também já passei dessa fase.
E teria também a oportunidade de ser a boazinha e depois depressiva Ashling - aliás, todos nomes muito fáceis de pronunciar, não? - , chamada de senhorita quebra-galho pelo bonitão grisalho e peludo, que, por sinal também gosta de pegar numa chave de fenda. Aqui com e sem trocadilho. Sim, vou estragar a leitura de alguém, os dois ficam juntos no final, caminhando pelo pier e falando sobre sushi. Talvez essa seja a que mais me atraia. Mas só por causa do pier, que fique aqui bem entendido. Ah, e eu gosto de sushi e homens que pegam em chaves de fenda, com e sem trocadilho.
Olha, cá entre nós, há ficções que são fictícias demais para eu engolir. E até pouco tempo atrás eu mesma comer sushi era pura ficção.
Voltando ao livro, eu ainda não sei o que mais me repeliu nessa leitura. E nem sei por que botei aqui nesse entremeio a Marta M. Acho que eu penso que ela, assim como eu, não deve ter achado algo de interessante nesse livro, fora a acidez. O livro deveria chamar-se "limão" ao invés de "sushi". Mehor seria até "abacaxi", bem mais apropriado.
Vou ali tomar um Eno e já volto.

Um comentário:

Tati Karpa disse...

Não li Sushi

mas posso dizer que vc não é anormal por não conseguir escrever enquanto o mundo tá tocando o puteiro em volta... criar e pintar em meio ao burburinho - e põe burburinho - moderno... mas conheço uma artista que diz que tem um botãozinho on/off para pintar quando tem tempo, e não esperar inspiração. Bem que ela podia dar um workshop pra nós...
parabéns pelo blog
venho visitar sempre que dá um tempinho...

bjs